Segundo o site "TProne", a saga "Crepúsculo" terá uma versão animada japonesa. O fenômeno mundial de vendas de livros e sucesso nos cinemas foi escrito por Stephenie Meyer.
De acordo com o "Tprone", a série de filmes que têm Robert Pattinson e Kristien Stewart como protagonistas, vai virar também um animê (animação japonesa) e já estaria em fase de pré-produção.
(Na Telinha, 28/12/2010)
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
'Cavaleiros do Zodíaco' deve ter versão em CG
Depois que o criador do mangá Cavaleiros do Zodíaco, Masami Kurumada, publicou em seu site uma imagem do personagem Seiya em computação gráfica, muito se falou sobre uma nova versão cinematográfica dos heróis que fizeram um estrondoso sucesso no Brasil e no mundo nas décadas de 1980 e 1990.
Agora, na edição anual da Jump Festa, realizada pela editora japonesa Shueisha, os rumores parecem ter se confirmado. O evento exibiu um vídeo com a mesma imagem dizendo que o novo Cavaleiros do Zodíaco chegará em breve para saciar a vontade do público.
Depois de um hiato de mais de dez anos, o Japão voltou a investir nos heróis com A Saga de Hades, exibida no Brasil pela Band, e também com a animação The Lost Canvas, que tem versão em DVD no País e é inspirada num mangá de mesmo nome.
A julgar pela quantidade de bonequinhos ainda à venda no mercado japonês, parece que a febre dos Cavaleiros não vai acabar tão cedo.
(Terra, 22/12/2010)
Agora, na edição anual da Jump Festa, realizada pela editora japonesa Shueisha, os rumores parecem ter se confirmado. O evento exibiu um vídeo com a mesma imagem dizendo que o novo Cavaleiros do Zodíaco chegará em breve para saciar a vontade do público.
Depois de um hiato de mais de dez anos, o Japão voltou a investir nos heróis com A Saga de Hades, exibida no Brasil pela Band, e também com a animação The Lost Canvas, que tem versão em DVD no País e é inspirada num mangá de mesmo nome.
A julgar pela quantidade de bonequinhos ainda à venda no mercado japonês, parece que a febre dos Cavaleiros não vai acabar tão cedo.
(Terra, 22/12/2010)
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Veja o trailer da sci-fi japonesa baseada no anime Patrulha Estelar
By: Marcel Plasse A adaptação do anime clássico “Patrulha Estelar” ganhou seu primeiro trailer completo, depois de um teaser divulgado lá em janeiro. O filme, que estreia em dezembro, é a produção mais esperada do ano no Japão. O trailer é de cair o queixo. Sci-fi espacial com direito a todos os efeitos especiais que os fãs sonhavam.
“Patrulha Estelar” é um dos desenhos chaves da revolução sci-fi que mudou o tom infantil dos animes nos anos 70. Os mais velhos devem lembrar-se da série animada criada em 1974 por Leiji Matsumoto, pois ela fez grande sucesso no Brasil em exibições pela Rede Manchete nos anos 80 (no Clube da Criança da Xuxa). A série acompanhava os conflitos da tripulação à bordo da nave de guerra Yamato, forjada e batizada em homenagem a um navio japonês afundado durante a 2ª Guerra, que era a única esperança da Terra contra uma invasão do planeta Gamilon.
No Japão, o culto rendeu três temporadas, seis telefilmes (o último lançado em dezembro passado, 25 anos após o anterior) e uma série derivada, “Halock, o Pirata do Espaço”. Além das cenas de ação e um visual bastante estilizado e avançado para a época, “Patrulha Estelar” se diferenciou por incluir fortes doses de dramaticidade, incluindo romance, um vilão carismático e a morte trágica de personagens centrais.
A versão de cinema de “Space Battleship Yamato” tem direção de Takashi Yamazaki (de outra adaptação famosa de anime, “Returner”), roteiro de Shimako Sato (de “K-20”) e, como é praxe no Japão, será estrelada por um cantor de J-pop, Takuya Kimura (do grupo SMAP).
O trailer revela uma influência curiosa: a nova série “Battlestar Galactica”. Só é difícil definir quem influenciou quem primeiro, já que o anime é bem anterior. Para quem não sabe, outra influência que o desenho clássico legou à cultura pop foram os clipes da dupla francesa de música eletrônica Daft Punk na época do álbum “Discovery” (2001) – todos supervisionados por Leiji Matsumoto, criador de “Patrulha Estelar”.
(Pipoca Moderna, 11/07/2010)
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Uma amizade “kawaii”

O diretor Hayao Miyazaki, avesso ao 3-D, promove fantasia e graciosidade na animação "Ponyo"
Mariana Shirai
Há no mundo apenas uma palavra capaz de classificar a animação Ponyo – Uma Amizade Que Veio Do Mar, o mais recente filme de Hayao Miyazaki: kawaii. O adjetivo é um dos mais usados na língua japonesa e significa algo parecido com “bonitinho”. É a expressão máxima do valor dado pela cultura nipônica à graciosidade, ao amor e à harmonia. Em uma época em que filmes e desenhos animados são violentos e grotescos, as duas horas de Ponyo se tornam uma rara experiência cinematográfica de alegria e beleza, e não só para as crianças.
O filme conta a história de amizade entre um garotinho de 5 anos chamado Sosuke e uma “peixinha” encantada que ele batiza de Ponyo. Assim como muitos dos nove outros longas-metragens dirigidos por Miyazaki (O castelo animado e A viagem de Chihiro, vencedor do Oscar de Animação de 2003), Ponyo une o mundo natural e o universo infantil por meio de seres e acontecimentos fantásticos. A liberdade e sua força incontrolável orientam a narrativa. Depois de conseguir fugir da bolha de proteção na qual seu pai – uma espécie de feiticeiro chamado Fujimori – a mantém nas profundezas do mar, Ponyo chega à praia que beira a casa de Sosuke. Antes de atingir a costa, porém, ela se vê novamente presa: dentro de uma embalagem de vidro. Sosuke a salva sem saber de seus atributos mágicos, e a amizade começa.
Os desafios infantis que Sosuke encontra para conseguir cuidar de Ponyo parecem quase intransponíveis. Como escondê-la durante a aula? Como não deixar que ela se torne comida de gatos vira-latas? As soluções são também do tamanho da inocência e graça de uma criança: Sosuke esconde Ponyo dentro de um baldinho coberto com folhas de um arbusto. Ponyo acaba descoberta por Fujimori e é mais uma vez detida no fundo do mar.
Ponyo não quer mais ser peixe. Usando seus poderes até então pouco conhecidos, transforma-se em gente. A metamorfose causa um rebuliço de proporções oceânicas. É um dos momentos de maior deslumbre na obra de Miyazaki. Deslizando sob ondas colossais ao lado de seres marinhos, a menina Ponyo encontra seu caminho até a terra firme. Seus poderes dourados, agora irrefreáveis, dão forma ao desejo inesperado da natureza de se tornar humana. Até o desfecho, o amor de Ponyo e Sosuke passa por testes exteriores comandados por Fujimori e uma deusa marítima.
Avesso à tecnologia do cinema 3-D, Miyazaki, de 69 anos, promove a fantasia kawaii em Ponyo com cores e texturas exuberantes, reafirmando seu lugar entre os grandes diretores de animação atuais.
(Revista Época, 24/06/2010)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Ninja Assassino abusa dos clichês para jorrar sangue digital
By: Marcel Plasse
Hollywood tem dois jeitos de filmar homenagens ao cinema de ação marcial japonês: com reverência e referências, à moda de “Kill Bill” (2003), ou como um “Bezão” apelativo e descerebrado, feito “Ninja Americano” (1985). Escrito em 56 horas, segundo gabou-se o roteirista J. Michael Strazynski (criador da série “Babylon 5”), “Ninja Assassino” pertence claramente à categoria mais baixa.
O filme abre com sua melhor sequência: um ataque ninjitsu que vira cena de horror gore, bem ao gosto da nova safra trash japonesa. Mas, passado o impacto sangrento, a trama engata um enredo convencional de espionagem televisiva, com direito a melodrama confinado em flashback e um vilão de voz sussurrante. A previsibilidade dos flashbacks, da salvação da mocinha, da motivação do herói, da ordem em que os personagens duelam e até do desfecho resulta na antítese de um suspense. Quem viu um filme de ninja antes – pode ser até “Elektra” (2005) – já sabe como a história termina com menos de 10 minutos de projeção.
A trama é bem simples e ainda assim completamente incongruente. Ninjas, que há mil anos são usados como assassinos por governos poderosos, sem nunca deixar testemunhas, de repente começam a aparecer em vídeos de segurança, a agir no meio da rua, acenando espadas para carros, a atacar gângsteres, políticos corruptos e até a invadir um prédio militar. É óbvio que acabam chamando a atenção da Interpol (ou Europol, numa renomeação típica de quadrinhos).
A ação se passa em Berlim, onde todos, claro, falam inglês – dos orientais aos moradores locais. E onde existe a pior segurança de aeroportos do mundo, pois só isso explica o transporte de um prisioneiro numa caixa fechada até a fortaleza ninja japonesa – que, por sinal, fica logo ali pertinho, dobrando a esquina do corte de edição. Mas o que se pode esperar de um roteiro marretado em 56 horas?
Que os irmãos Wachowski são apaixonados pela cultura pop oriental sabe-se desde “Matrix” (1999), que introduziu em Hollywood o uso do wire-fu, o kung-fu com efeitos especiais. Depois de fazer “Speed Racer” (2008), um filme-autorama baseado no anime dos anos 60, eles voltam a produzir uma obra de temática japonesa, dirigida por seu pupilo, James McTeigue (“V de Vingança”).
“Ninja Assassino” traz de volta Rain, o ator, modelo e cantor coreano com quem os irmãos trabalharam em “Speed Racer”. Uma piada no filme refere-se à carreira pop do cantor, quando os ocidentais dizem que ele parece mais integrante de “boy band” que um ninja assustador. É uma constatação verídica.
Se algo se salva do fogo crítico é a concepção expressionista dos ninjas, realizada por McTeigue. O diretor explora bem o conceito de assassinos das sombras, filmando as lutas sempre à noite e em locações escuras, mas principalmente fazendo os guerreiros de negro emergirem da escuridão, feito criaturas macabras. Seus ninjas são como monstros de filmes de horror, vindo do nada para arrancar pedaços e esguichar sangue digital no colo do espectador.
Onde o filme mais se esforça são nas coreografias de ninjitsu, que tentam até explorar a estética dos elementos. Há lutas na chuva e em meio às chamas, embora nada que remeta à plasticidade de Zhang Yimou (“Herói”, “O Clã das Adagas Voadoras”).

Suor perdido à toa. Mesmo a sequência de duelos entre o tráfego pesado de Berlim, a apoteose da ação, acaba sendo vulgarizada, pois todas as lutas, o tempo inteiro, são engolfadas em jatos de pixels encarnados, fatiadas por close-ups fora de hora e derrubadas por uma edição de computador que deixa o trash pop de “Azumi” (2003) parecendo balé clássico.
Os excessos visuais, praga da edição moderninha, comprometem o apelo “B” de “Ninja Assassino” em troca de uma aparência “descolada” de adaptação de quadrinhos. Mas no fundo ele não passa de um filme tosco, daqueles que se costumava ver em VHS, no velho videocassete dentado que há muito mastigou “Mortal Kombat” (1995) e “Ninja Americano 5” (1993).
(Pipoca Moderna 05/02/2010)
Hollywood tem dois jeitos de filmar homenagens ao cinema de ação marcial japonês: com reverência e referências, à moda de “Kill Bill” (2003), ou como um “Bezão” apelativo e descerebrado, feito “Ninja Americano” (1985). Escrito em 56 horas, segundo gabou-se o roteirista J. Michael Strazynski (criador da série “Babylon 5”), “Ninja Assassino” pertence claramente à categoria mais baixa.O filme abre com sua melhor sequência: um ataque ninjitsu que vira cena de horror gore, bem ao gosto da nova safra trash japonesa. Mas, passado o impacto sangrento, a trama engata um enredo convencional de espionagem televisiva, com direito a melodrama confinado em flashback e um vilão de voz sussurrante. A previsibilidade dos flashbacks, da salvação da mocinha, da motivação do herói, da ordem em que os personagens duelam e até do desfecho resulta na antítese de um suspense. Quem viu um filme de ninja antes – pode ser até “Elektra” (2005) – já sabe como a história termina com menos de 10 minutos de projeção.
A trama é bem simples e ainda assim completamente incongruente. Ninjas, que há mil anos são usados como assassinos por governos poderosos, sem nunca deixar testemunhas, de repente começam a aparecer em vídeos de segurança, a agir no meio da rua, acenando espadas para carros, a atacar gângsteres, políticos corruptos e até a invadir um prédio militar. É óbvio que acabam chamando a atenção da Interpol (ou Europol, numa renomeação típica de quadrinhos).A ação se passa em Berlim, onde todos, claro, falam inglês – dos orientais aos moradores locais. E onde existe a pior segurança de aeroportos do mundo, pois só isso explica o transporte de um prisioneiro numa caixa fechada até a fortaleza ninja japonesa – que, por sinal, fica logo ali pertinho, dobrando a esquina do corte de edição. Mas o que se pode esperar de um roteiro marretado em 56 horas?
Que os irmãos Wachowski são apaixonados pela cultura pop oriental sabe-se desde “Matrix” (1999), que introduziu em Hollywood o uso do wire-fu, o kung-fu com efeitos especiais. Depois de fazer “Speed Racer” (2008), um filme-autorama baseado no anime dos anos 60, eles voltam a produzir uma obra de temática japonesa, dirigida por seu pupilo, James McTeigue (“V de Vingança”).“Ninja Assassino” traz de volta Rain, o ator, modelo e cantor coreano com quem os irmãos trabalharam em “Speed Racer”. Uma piada no filme refere-se à carreira pop do cantor, quando os ocidentais dizem que ele parece mais integrante de “boy band” que um ninja assustador. É uma constatação verídica.
Se algo se salva do fogo crítico é a concepção expressionista dos ninjas, realizada por McTeigue. O diretor explora bem o conceito de assassinos das sombras, filmando as lutas sempre à noite e em locações escuras, mas principalmente fazendo os guerreiros de negro emergirem da escuridão, feito criaturas macabras. Seus ninjas são como monstros de filmes de horror, vindo do nada para arrancar pedaços e esguichar sangue digital no colo do espectador.Onde o filme mais se esforça são nas coreografias de ninjitsu, que tentam até explorar a estética dos elementos. Há lutas na chuva e em meio às chamas, embora nada que remeta à plasticidade de Zhang Yimou (“Herói”, “O Clã das Adagas Voadoras”).

Suor perdido à toa. Mesmo a sequência de duelos entre o tráfego pesado de Berlim, a apoteose da ação, acaba sendo vulgarizada, pois todas as lutas, o tempo inteiro, são engolfadas em jatos de pixels encarnados, fatiadas por close-ups fora de hora e derrubadas por uma edição de computador que deixa o trash pop de “Azumi” (2003) parecendo balé clássico.
Os excessos visuais, praga da edição moderninha, comprometem o apelo “B” de “Ninja Assassino” em troca de uma aparência “descolada” de adaptação de quadrinhos. Mas no fundo ele não passa de um filme tosco, daqueles que se costumava ver em VHS, no velho videocassete dentado que há muito mastigou “Mortal Kombat” (1995) e “Ninja Americano 5” (1993).
(Pipoca Moderna 05/02/2010)
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Astro Boy
Entre diversas lições de moral e poucas cenas de ação, esta animação peca por suas decisões simplistas, quase didáticas, devendo agradar apenas os mais novinhos.
Darlano Didimo
cinemacomrapadura.com.br
Astro Boy nasceu das mãos e da mente genial de Osamu Tezuka em 1952. Produzido por seu criador até 1968, o mangá marcou a história cultural do Japão e rendeu a primeira série animada exibida pela televisão local, dando origem à indústria japonesa de animação. A série alçou vôos mais altos ao chegar a outros cantos do mundo nas décadas posteriores, incluindo os Estados Unidos, tendo influência direta nos animes de hoje. E como tudo que faz sucesso em outras mídias e tem fãs fervorosos, o mangá virou filme, agora nas mãos de produtores americanos, chineses e japoneses. Preservando o nome e a estética original, “Astro Boy”, no entanto, modifica partes de sua história em prol de uma acessibilidade ainda maior, deixando sua trama extremamente infantil e pouco original.
Entre as mudanças, algumas podem ser vistas logo de imediato. Para facilitar a pronúncia do nome do herói pelas crianças, não mais temos Tobio, mas Toby (dublado no Brasil por Rodrigo Faro) no papel principal. Além disso, sua morte não acontece em um acidente automobilístico e ele não é mais vendido para um dono de circo como resultado da rejeição de seu pai e criador. Maniqueísmos exagerados também são inseridos e vilões desconhecidos dão as caras. Alguns poderiam dizer que tudo tem a simples intenção de atualizar a história, mas essa não é a impressão. O filme traz dilemas e confrontos tão antigos quanto o próprio mangá, decepcionando tanto os fãs quanto os sedentos por conferir mais uma animação de qualidade nos cinemas.
A trama se passa em um mundo futurístico, mais especificamente em Metro City, cidade que sobrevoa o antigo território habitado pelos humanos, hoje abandonado depois que o lixo não mais permite sobrevivência em seu entorno. Por sobre a longínqua sujeira, humanos e robôs dividem espaço, sobrando aos últimos realizar tarefas árduas agora rejeitadas pelos primeiros, como atividades domésticas. Entre os principais gênios da robótica estão Dr. Tenma, chefe do Ministério da Ciência e pai de Toby, um pequeno garoto que parece querer seguir seus passos. No entanto, durante a apresentação de uma nova criação de Tenma, sob os olhos ambiciosos do Presidente Stone, Toby acaba se tornando uma vítima fatal do ataque do andróide ironicamente chamado Pacificador.
Culpando-se como o verdadeiro causador da morte do filho, Dr. Tenma tenta reverter a perda criando um robô com a mesma semelhança física e memórias de Toby. A única diferença está em alguns novos poderes que foram acrescentados, como a capacidade de voar, a força monumental que passa a possuir e as inúmeras armas que carrega por todo o corpo, literalmente. Tudo movido por meio da energia azul. Mas o plano não funciona por completo. Ele acaba se arrependendo da ideia e não reage aos ataques comandados pela presidência, que planeja capturar Toby com o objetivo de usar seus poderes para “manipular” as próximas eleições. No entanto, o menino-robô, que ganha o apelido de Astro, foge, tendo que aprender a sobreviver sozinho numa região tão suja quanto perigosa.
“Astro Boy” tem um início promissor. Com um prólogo que conta a história do nascimento de Metro City e da rotina do local, somos apresentados a um cenário que parece guardar, em suas esquinas, bonitas e profundas reflexões, sejam elas ambientais ou familiares. Em uma sociedade entregue ao consumo, ao trabalho e à exploração dos serviços robóticos, sobra pouco tempo para valorizar os reais válidos valores humanos. No entanto, o filme fica apenas na promessa. As lições de moral são tantas que se confundem e, ao final, nenhuma é devidamente bem explorada.
O problema é que o longa-metragem não sabe se dedica mais às cenas de ação, em uma estratégia para atrair o público mais jovem, ou se foca na metáfora que se propôs desde o início. E ao fim, nenhum dos dois satisfaz a audiência. Faltam perseguições e tiros, já que acontecem apenas duas sequências de ação durante toda a fita, assim como os furos de roteiro impossibilitam alguns ensinamentos mais reflexivos. Dessa forma, “Astro Boy” nem emociona nem diverte, aproximando-se mais de um episódio alongado de séries japonesas que são exibidas diariamente pelos canais de televisão de todo o mundo.
Dirigido por David Bowers (“Por Água Abaixo”), o filme possui um ritmo lento, que o faz parecer mais longo do que sua uma hora e meia de duração. O senso cômico simplesmente não existe, a não ser pela inclusão de robôs anarquistas, na única ideia mais inteligente e adulta de toda a trama. Mesmo assim, as risadas não duram mais do que dois segundos. Além disso, o visual da produção não impressionará as crianças com suas cores cinzentas e pouco atraentes. Por mais que toda a estética seja inspirada nos animes e não possa ousar muito, a sensação é de total regressão em relação aos últimos filmes do gênero. Reparem na cena em que Astro e seus recém-amigos lavam o robô Zob logo após o encontrarem em meio a tanto ferro velho.
Roteirizado pelo próprio Bowers, em parceria com Timothy Harris (“Space Jam”), “Astro Boy” acerta ao inserir o personagem Ham Egg, um brilhante cientista que deixou Metro City para, logo abaixo, consertar robôs renegados pela cidade e transformá-los em peças de luta, para digladiarem em confrontos conferidos por um vasto público. Aqui, o bem e o mal se confundem primeiramente para depois revelarem-se verdadeiramente. Entretanto, o maniqueísmo é escalado durante todo o filme na figura do verdadeiro vilão da história, o presidente Stone. Tudo que o cerca é extremamente simplista e clichê. Certo que estamos diante de um filme infantil, mas faltam razões e clareza às suas intenções de realizar maldades.
O roteiro também falha no desenvolvimento da relação de Toby com o Dr. Tenma. Pai ausente, ele deveria tentar se aproximar da versão robótica do menino, mas o que vemos é o mesmo afastamento e, além disso, um julgamento precipitado da nova personalidade do filho, o que desencadeia todos os conflitos do longa. Como se não bastasse, um arrependimento também surge, para que, claro, um final feliz encerre mais essa história extremamente comum, que pode até lembrar um pouco “Wall-E”, mas que não chega nem aos pés de uma das melhores animações já realizadas.
(cinema com rapadura, 24/01/2010)
Darlano Didimocinemacomrapadura.com.br
Astro Boy nasceu das mãos e da mente genial de Osamu Tezuka em 1952. Produzido por seu criador até 1968, o mangá marcou a história cultural do Japão e rendeu a primeira série animada exibida pela televisão local, dando origem à indústria japonesa de animação. A série alçou vôos mais altos ao chegar a outros cantos do mundo nas décadas posteriores, incluindo os Estados Unidos, tendo influência direta nos animes de hoje. E como tudo que faz sucesso em outras mídias e tem fãs fervorosos, o mangá virou filme, agora nas mãos de produtores americanos, chineses e japoneses. Preservando o nome e a estética original, “Astro Boy”, no entanto, modifica partes de sua história em prol de uma acessibilidade ainda maior, deixando sua trama extremamente infantil e pouco original.
Entre as mudanças, algumas podem ser vistas logo de imediato. Para facilitar a pronúncia do nome do herói pelas crianças, não mais temos Tobio, mas Toby (dublado no Brasil por Rodrigo Faro) no papel principal. Além disso, sua morte não acontece em um acidente automobilístico e ele não é mais vendido para um dono de circo como resultado da rejeição de seu pai e criador. Maniqueísmos exagerados também são inseridos e vilões desconhecidos dão as caras. Alguns poderiam dizer que tudo tem a simples intenção de atualizar a história, mas essa não é a impressão. O filme traz dilemas e confrontos tão antigos quanto o próprio mangá, decepcionando tanto os fãs quanto os sedentos por conferir mais uma animação de qualidade nos cinemas.
A trama se passa em um mundo futurístico, mais especificamente em Metro City, cidade que sobrevoa o antigo território habitado pelos humanos, hoje abandonado depois que o lixo não mais permite sobrevivência em seu entorno. Por sobre a longínqua sujeira, humanos e robôs dividem espaço, sobrando aos últimos realizar tarefas árduas agora rejeitadas pelos primeiros, como atividades domésticas. Entre os principais gênios da robótica estão Dr. Tenma, chefe do Ministério da Ciência e pai de Toby, um pequeno garoto que parece querer seguir seus passos. No entanto, durante a apresentação de uma nova criação de Tenma, sob os olhos ambiciosos do Presidente Stone, Toby acaba se tornando uma vítima fatal do ataque do andróide ironicamente chamado Pacificador.
Culpando-se como o verdadeiro causador da morte do filho, Dr. Tenma tenta reverter a perda criando um robô com a mesma semelhança física e memórias de Toby. A única diferença está em alguns novos poderes que foram acrescentados, como a capacidade de voar, a força monumental que passa a possuir e as inúmeras armas que carrega por todo o corpo, literalmente. Tudo movido por meio da energia azul. Mas o plano não funciona por completo. Ele acaba se arrependendo da ideia e não reage aos ataques comandados pela presidência, que planeja capturar Toby com o objetivo de usar seus poderes para “manipular” as próximas eleições. No entanto, o menino-robô, que ganha o apelido de Astro, foge, tendo que aprender a sobreviver sozinho numa região tão suja quanto perigosa.
“Astro Boy” tem um início promissor. Com um prólogo que conta a história do nascimento de Metro City e da rotina do local, somos apresentados a um cenário que parece guardar, em suas esquinas, bonitas e profundas reflexões, sejam elas ambientais ou familiares. Em uma sociedade entregue ao consumo, ao trabalho e à exploração dos serviços robóticos, sobra pouco tempo para valorizar os reais válidos valores humanos. No entanto, o filme fica apenas na promessa. As lições de moral são tantas que se confundem e, ao final, nenhuma é devidamente bem explorada.
O problema é que o longa-metragem não sabe se dedica mais às cenas de ação, em uma estratégia para atrair o público mais jovem, ou se foca na metáfora que se propôs desde o início. E ao fim, nenhum dos dois satisfaz a audiência. Faltam perseguições e tiros, já que acontecem apenas duas sequências de ação durante toda a fita, assim como os furos de roteiro impossibilitam alguns ensinamentos mais reflexivos. Dessa forma, “Astro Boy” nem emociona nem diverte, aproximando-se mais de um episódio alongado de séries japonesas que são exibidas diariamente pelos canais de televisão de todo o mundo.
Dirigido por David Bowers (“Por Água Abaixo”), o filme possui um ritmo lento, que o faz parecer mais longo do que sua uma hora e meia de duração. O senso cômico simplesmente não existe, a não ser pela inclusão de robôs anarquistas, na única ideia mais inteligente e adulta de toda a trama. Mesmo assim, as risadas não duram mais do que dois segundos. Além disso, o visual da produção não impressionará as crianças com suas cores cinzentas e pouco atraentes. Por mais que toda a estética seja inspirada nos animes e não possa ousar muito, a sensação é de total regressão em relação aos últimos filmes do gênero. Reparem na cena em que Astro e seus recém-amigos lavam o robô Zob logo após o encontrarem em meio a tanto ferro velho.
Roteirizado pelo próprio Bowers, em parceria com Timothy Harris (“Space Jam”), “Astro Boy” acerta ao inserir o personagem Ham Egg, um brilhante cientista que deixou Metro City para, logo abaixo, consertar robôs renegados pela cidade e transformá-los em peças de luta, para digladiarem em confrontos conferidos por um vasto público. Aqui, o bem e o mal se confundem primeiramente para depois revelarem-se verdadeiramente. Entretanto, o maniqueísmo é escalado durante todo o filme na figura do verdadeiro vilão da história, o presidente Stone. Tudo que o cerca é extremamente simplista e clichê. Certo que estamos diante de um filme infantil, mas faltam razões e clareza às suas intenções de realizar maldades.
O roteiro também falha no desenvolvimento da relação de Toby com o Dr. Tenma. Pai ausente, ele deveria tentar se aproximar da versão robótica do menino, mas o que vemos é o mesmo afastamento e, além disso, um julgamento precipitado da nova personalidade do filho, o que desencadeia todos os conflitos do longa. Como se não bastasse, um arrependimento também surge, para que, claro, um final feliz encerre mais essa história extremamente comum, que pode até lembrar um pouco “Wall-E”, mas que não chega nem aos pés de uma das melhores animações já realizadas.
(cinema com rapadura, 24/01/2010)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Mostra faz retrospectiva da produção cinematográfica japonesa
O CCBB Brasília, em conjunto com a Embaixada do Japão, exibe mostra que pretende fazer uma retrospectiva da produção cinematográfica do Japão.
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília realiza, em parceira com a Embaixada do Japão, a mostra de cinema Cool Japan, mostra de Cinema que aborda a produção japonesa contemporânea, conhecida como Japan Pop. De forma a ilustrar as mudanças e as diferenças do que se faz hoje em cinema no Japão, a mostra também conta com filmes que são referências de cineastas que são marcos da história da cinematografia do país. Serão apresentados, de 19 de janeiro a 07 de fevereiro, 17 filmes que abordam as mais diversas áreas e gêneros – drama, ficção, horror e animação.
Entre os ótimos motivos para vir à Cool Japan estão obras significativas, como Contos da Lua Vaga Depois da Chuva, de Kenji Mizoguchi, considerado um dos mais importantes cineastas japoneses, ao lado de nomes como Akira Kurosawa e Yasujiro Ozu. A característica mais marcante do cinema de Mizoguchi, presente em todos os seus filmes, é o feminismo. Considerado o primeiro maior diretor feminista - embora isso fique menos claro para as audiências modernas, revelou a posição feminina na sociedade japonesa como humilhante e oprimida, e demonstrou que elas podem ser capazes de maior nobreza entre os sexos.
Confira a programação da mostra Cool Japan
Indo para o extremo oposto, a mostra também exibe filmes de uma vertente mais masculina, representada pela cinematografia de Takeshi Kitano.
Ator, comediante, pintor, escritor e diretor, Kitano, um popstar com cinco programas de TV no Japão, é mais conhecido por voltar as suas lentes para o lado escuro da terra do sol nascente revelando as idiossincrasias da yakuza, a máfia japonesa, como no filme Sonatine. Também são destaques dois animês ainda inéditos no Brasil: A Garota que Saltou no Tempo, de Hosoda Mamoro, e Férias de Verão com Côo, de Keiichi Hara.
(Cerrado Mix, 18/01/2010)
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília realiza, em parceira com a Embaixada do Japão, a mostra de cinema Cool Japan, mostra de Cinema que aborda a produção japonesa contemporânea, conhecida como Japan Pop. De forma a ilustrar as mudanças e as diferenças do que se faz hoje em cinema no Japão, a mostra também conta com filmes que são referências de cineastas que são marcos da história da cinematografia do país. Serão apresentados, de 19 de janeiro a 07 de fevereiro, 17 filmes que abordam as mais diversas áreas e gêneros – drama, ficção, horror e animação.
Entre os ótimos motivos para vir à Cool Japan estão obras significativas, como Contos da Lua Vaga Depois da Chuva, de Kenji Mizoguchi, considerado um dos mais importantes cineastas japoneses, ao lado de nomes como Akira Kurosawa e Yasujiro Ozu. A característica mais marcante do cinema de Mizoguchi, presente em todos os seus filmes, é o feminismo. Considerado o primeiro maior diretor feminista - embora isso fique menos claro para as audiências modernas, revelou a posição feminina na sociedade japonesa como humilhante e oprimida, e demonstrou que elas podem ser capazes de maior nobreza entre os sexos.
Confira a programação da mostra Cool Japan
Indo para o extremo oposto, a mostra também exibe filmes de uma vertente mais masculina, representada pela cinematografia de Takeshi Kitano.
Ator, comediante, pintor, escritor e diretor, Kitano, um popstar com cinco programas de TV no Japão, é mais conhecido por voltar as suas lentes para o lado escuro da terra do sol nascente revelando as idiossincrasias da yakuza, a máfia japonesa, como no filme Sonatine. Também são destaques dois animês ainda inéditos no Brasil: A Garota que Saltou no Tempo, de Hosoda Mamoro, e Férias de Verão com Côo, de Keiichi Hara.
(Cerrado Mix, 18/01/2010)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Clássico do anime e referência na TV japonesa, Astro Boy vira filme em Hollywood
TÓQUIO - Perguntar para um japonês se ele conhece o Astro Boy é o mesmo que querer saber se um americano já ouviu falar em Mickey Mouse. O robô-menino - cuja história acaba de virar um filme - é um ícone no Japão e sua influência na história da TV local é sentida até hoje. Tetsuwan Atomu, como o personagem é conhecido em sua terra natal, nasceu como mangá na década de 50 e, em 1963, sua história foi a primeira a sair dos quadrinhos e ganhar uma versão animada para a TV. O sucesso do garotinho fabricado em laboratório e rejeitado por seu pai cientista iniciou a era dos desenhos animados - os animês - na televisão japonesa.O filme em 3D (batizado de "Atom" no Japão e de "Astro Boy" nos Estados Unidos) baseado na obra de Osamu Tezuka, considerado o "deus do mangá e do animê", é mais um produto japonês a chegar aos cinemas via Hollywood (lembrem-se de "Speed Racer"). No Brasil, a estreia está prevista para o dia 22 de janeiro.
Os fãs mais ciumentos do Astro Boy, que até hoje disputam bonequinhos da série, no entanto, não acham muita graça no fato de um símbolo nacional ser retratado por estrangeiros. Mas o fato é que o robozinho, desenhado há mais de meio século, parece estar renascendo: ele acaba de voltar a ser um mangá, só que do século 21, disponível nos EUA para Iphone e Ipod Touch.
Para os que se perguntam se Tezuka, morto em 1989, aprovaria as novas encarnações de sua criação, Takayuki Matsutani, presidente da produtora que administra a obra do artista, responde:
- No começo fui contra. Não conseguia imaginar um mangá, que é sempre produzido tendo em vista as duas páginas abertas de uma revista, sendo lido nessa $pequena - disse ele apontando para o celular, durante uma conversa com jornalistas, em Tóquio. - Mas mudei de ideia. Acho que minha função é espalhar a mensagem pacifista de Tezuka - afirmou.
A antiga versão de Astro Boy: clássico no Japão

Quando a Segunda Guerra terminou, Tezuka tinha 18 anos. Estudou Medicina, mas decidiu que desenhos cheios de esperança poderiam fazer uma diferença maior num país arrasado. Nos anos seguintes, o Japão atravessaria uma das mais impressionantes transformações do século 20, mas antes de os eletrônicos made in Japan ganharem o mundo, Tezuka já falava em robótica, chips, laser, confronto máquina X homem. Tudo isso está em "Astro Boy".
Na versão para o cinema, dirigida por David Bowers e já em cartaz no Japão e nos EUA, o personagem ganhou a voz de Freddie Highmore (o garotinho da refilmagem de "A fantástica fábrica de chocolate"). A história tem um pouquinho de "Pinóquio", "Frankenstein" e "AI - Inteligência artificial": um cientista que perdeu o filho (na tela grande dublado por Nicolas Cage) cria um robô igual à criança amada. Mas como ele não cresce e não tem as reações de um ser humano, o "pai" o vende para um circo de robôs. Adotado por um professor, ele vira um defensor da justiça, um salvador do mundo e ainda mostra que tem um kokoro (coração).
Na TV japonesa, a série em preto e branco foi exibida pelo canal Fuji, em episódios semanais de 27 minutos. Na época foi uma revolução. Várias produtoras seguiram o modelo e o mercado do animê explodiu. "Astro Boy" foi o primeiro desenho animado japonês a ser exportado. A NBC comprou a história para o público americano e, a partir dos EUA, o pequeno robô com foguetes nas botas viajou o mundo. Para toda uma geração, foi o primeiro contato com a cultura japonesa, muito antes do sushi.
(O Globo, 2/11/2009)
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